O governo federal e o paulista estão preparando, em lados distintos, pacotes de investimentos para o ano que vem. Os recursos serão para a requalificação de mão-de-obra, um dos principais gargalos do país e terreno que costuma dar bom retorno em ano eleitoral.
O Ministério do Trabalho tem R$ 850 milhões previstos no Orçamento para a qualificação de mão-de-obra. Novos programas como o Pró-Jovem Trabalhador, que substitui o fracassado Primeiro Emprego, e um reforço para o Bolsa Família vão consumir os recursos.
O Pró-Jovem Trabalhador pretende qualificar 320 mil jovens carentes e em situação social de risco a ingressarem no mercado de trabalho. No Bolsa Família o programa é de qualificação de bolsistas para ocupar vagas criadas pelas obras do Programa de Aceleração Econômica (PAC). Ao obter emprego, eles deixariam de receber o Bolsa Família. Os programas na área social são considerados, no Planalto, como um dos responsáveis pelo resultado das últimas eleições presidenciais e estão em alta no governo. Os investimentos da União no setor saltaram de R$ 23,6 milhões em 2006, para R$ 170 milhões neste ano.
O programa paulista prevê investir R$ 100 milhões em 2008 para reinserir trabalhadores no mercado de trabalho. A prioridade são os cerca de 180 mil cortadores de cana que devem deixar o trabalho nas lavouras, com a determinação de acabar com as queimadas e a mecanização da colheita de cana-de-açúcar.
O governo paulista quer antecipar a lei que prevê o fim da prática da queimada de 2020 para 2014. A medida ajudará os produtores a obterem o "selo de combustível limpo", uma exigência do mercado internacional, mas vai eliminar essa mão-de-obra do mercado. O assessor técnico da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Oswaldo Lucon, ressalta que a meta é obter, até o final deste ano, a adesão de 80 usinas de grande porte ao protocolo de antecipação do fim das queimadas.
A União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo estima que, na próxima década, a industrialização de etanol crie em torno de 300 mil empregos. No entanto, a mecanização das lavouras e as novas tecnologias dificultariam o aproveitamento dessa mão-de-obra.
- Em tese, faltariam trabalhadores se todos os cortadores de cana pudessem ser aproveitados nas novas funções que serão criadas, mas sabemos que não é bem assim - observa o diretor do escritório regional da Unica em Ribeirão Preto, Sérgio Prado.
Fonte: Jornal do Brasil
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