País foi "promovido" do nível 2 alerta para o nível 2. Escala vai de 1 a 3
Patrícia Campos Mello
WASHINGTON - O Brasil saiu da lista negra de trabalho escravo e prostituição infantil do governo americano. No "Relatório de Tráfico de Pessoas 2007", divulgado nesta terça-feira, 12, pelo Departamento de Estado, o Brasil foi "promovido" do nível 2 alerta, onde ficam países que já requerem medidas urgentes para combater a grande incidência de trabalho forçado, venda de meninas para prostituição no exterior e soldados infantis, para o nível 2. "O Brasil ainda tem problemas de trabalho escravo e prostituição infantil, mas algumas medidas adotadas pelo governo brasileiro no ano passado tiveram um impacto muito positivo no combate a essas práticas", disse ao Estado o embaixador Mark Langon, responsável pela área de combate ao Tráfico de Pessoas.
A escala vai de 1 a 3 (passando por 2 e 2 alerta). No nível três estão os 16 países que registram a maior incidência de tráfico de pessoas: Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Argélia, Guiné Equatorial, Argélia, Malásia, Cuba, Irã, Mianmar, Coréia do Norte, Arábia Saudita, Sudão, Síria, Usbequistão e Venezuela. "Esses países são o pior do pior em termos de trabalho escravo e prostituição, e não mostram nenhum esforço dos governos para mudar a situação", disse Langon.
Os países em nível 3 estão sujeitos a sanções como corte de auxílio financeiro dos EUA, caso não adotem um plano de combate ao tráfico de pessoas no período de 90 dias a partir da publicação do relatório. Venezuela, Guiné Equatorial e Camboja já foram vítimas dessas sanções.
Críticos afirmam que a lista dos EUA têm critérios políticos, ao incluir Venezuela, Cuba, Síria e Coréia do Norte, e deixar de fora Índia, que tem uma incidência enorme de trabalho forçado de indivíduos de castas inferiores, mas mantém relação amigável com os EUA.
A promoção do Brasil, que também foi excluído recentemente da lista negra de desrespeito à propriedade intelectual, pode ser um gesto de boa vontade da Casa Branca no esforço de aproximação com o governo brasileiro, segundo uma fonte.
Evoluções
Langon afirma que o Brasil evolui em vários campos, e destaca a decisão do Supremo em dezembro de 2006, determinando que casos envolvendo trabalho escravo sejam julgados por tribunais federais, e não em tribunais inferiores, mais vulneráveis a pressões. Ele também elogiou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, em março de 2007, vetou uma lei que limitaria o poder de agentes do Ministério do Trabalho de identificar casos de trabalho escravo e impor multas.
Mas os EUA alertam para a persistência do uso de trabalho escravo em carvoarias na região amazônica. "Apesar de a maioria dos 14 grandes produtores de ferro-gusa terem adotado um mecanismo voluntário para barrar carvão de carvoarias que usam trabalho escravo, muitas carvoarias independentes continuam a usar mão-de-obra forçada", consta do relatório. "Esse ferro gusa que usa trabalho escravo é exportado para os EUA e usado em uma multidão de produtos, como carros, tratores, geladeiras."
O Congresso americano está investigando o uso de trabalho escravo na produção de ferro gusa brasileiro exportado para os EUA. As investigações podem levar à suspensão das exportações brasileiras. "Não queremos patrocinar indiretamente essa exploração horrível de pessoas", disse Langon.
Críticas
O documento estima que haja 25 mil homens em trabalho forçado, na maioria "escravidão por dívidas" em trabalho agrícola na região da Amazônia e no Mato Grosso. Mas os EUA destaca os avanços no combate e prevenção dessas práticas.
Apesar da melhora do Brasil, o relatório traz um retrato preocupante do tráfico de pessoas no mundo. Oito países foram rebaixados para o nível três. Os EUA projetam que cerca de 800 mil pessoas são vítimas de tráfico internacional, vendidas como prostituas ou mão-de-obra escrava para outros países, e cerca de 80% são mulheres e meninas. No nível 2 alerta estão países como China, México, Rússia, Índia, África do Sul e Armênia.
Fonte: Agência Estado
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