quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Terceirização dobra em uma década

Emprego de prestação de serviços tem acréscimo de 138% de 1995 a 2005; em Bauru, telemarketing e cobrança lideram

Trabalhar em uma empresa, contratado por outra. Nos últimos dez anos, um dos mercados que apresentaram maior expansão foi o de terceirização de serviços. No Estado de São Paulo, estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aponta que o índice de empregos em empresas terceirizadas cresceu 138% em dez anos, e Bauru acompanhou o ritmo.
Na cidade, a terceirização de serviços de cobrança e telemarketing lideraram o segmento. E ao mesmo tempo em que o setor cresce, especialistas aconselham trabalhadores e empresas contratantes a permanecerem atentos.
Uma pesquisa elaborada pelo economista da Unicamp Márcio Pochmann aponta que, enquanto a sindicalização geral no País se manteve estável de 1995 a 2005, subindo de 16,2% para 18,4% na década, a filiação dos terceirizados aumentou de 0,8% para 27% no mesmo período.
O aumento da filiação na avaliação do economista, publicada na edição de sexta-feira do Diário de S. Paulo, vem do crescimento dos postos no setor, passando de 196 mil empregos em 1996 para 467 mil no ano passado. Esta alta, explica o economista na reportagem, acompanha a ampliação de empregos oferecidos no setor de serviços. A cada dez empregos oferecidos no Estado, sete são neste setor e a cada quatro, um é terceirizado.
O chefe do setor de inspeção da Delegacia Regional do Trabalho em Bauru, José Eduardo Rubo, avalia que a evolução dos empregos no setor de terceirização na cidade acompanhou os níveis de São Paulo. “Em toda a região o movimento acompanhou o Estado”, avalia.
Há quatro anos, Cinthia Beghini, 25 anos, trabalha como auxiliar administrativa em uma prestadora de serviços. Além de funcionários para cargos de administração, a empresa oferece equipe especializada para a área de limpeza, segurança e outros serviços. Para ela, o diferencial é a estabilidade e a oportunidade de conhecer outras empresas. “Se você não se adequar, pode ser remanejado para outro estabelecimento”, destaca.
Assim, Beghini já trabalhou até cobrindo férias em agências bancárias. “É uma empresa que oferece possibilidade de crescimento também”, enfatiza. Mas para Rubo, o trabalhador deve ficar atento. “A terceirização normalmente é acompanhada da precarização das relações do trabalho, no salário, e benefícios da saúde e segurança do trabalhador”, pontua. Segundo ele, muitas vezes isso acontece pela não representação sindical da categoria.
Atenção
Para o advogado Márcio Robison de Lima, coordenador da comissão dos advogados trabalhistas da OAB, tanto os trabalhadores quanto a empresa contratante devem ficar atentos às terceirizadoras. Ele observa que as empresas que oferecem serviços especializados, geralmente para poupar custos, acabam caindo na sonegação de impostos. Deixam de pagar horas extras, recolher o FGTS, entre outras coisas. “Avalio que a terceirização é interessante desde que os direitos dos trabalhadores não sejam pisoteados”, pontua o advogado.
Ele também destaca que em alguns municípios do Estado as terceirizadoras estão realizando o trabalho final da empresa contratante, o que não é permitido por lei. Segundo Lima, na busca de oferecer serviço cada vez mais barato, muitas prestadoras de serviço têm falido.
“E nesses casos, quem responde pelos encargos devidos aos empregados é a empresa contratante”, reitera. Por isso, ele aconselha tanto aos trabalhadores quanto aos contratantes para permanecerem atentos a esse mercado.
Fonte: jcnet.com.br

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