Fábio Cavazotti
Afirmação é do empresário Francisco Simeão, que enfrenta argumentação contrária com números: 'Esses ambientalistas tinham de aprender aritmética'
Em julho, no auge da ''guerra dos pneus'', o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Pneus Remoldados (Abip), Francisco Simeão, anunciou a demissão de 500 funcionários de sua empresa e a intenção de transferí-la para o Paraguai. Era uma resposta à ação ingressada pela presidência da República no Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir a importação de pneus usados - matéria-prima da remoldagem. Passados dois meses, com auxílio do governo do Paraná, que contestou a União no STF, Simeão comemora uma ''reversão'' do quadro.
Qual a situação de momento?
Houve ação ajuizada pela presidência da República no STF que está equivocada. Ao contrário do alegado, de que estaríamos promovendo risco de lesão grave e irreparável ao meio ambiente e saúde pública, o setor traz benefício à saúde e ao meio ambiente, já que a cada quatro pneus usados que importamos, coletamos do meio ambiente cinco pneus inservíveis, que são destruídos. Depois das conversas que tivemos com a ministra (do STF) Carmem Lúcia, que vai realizar audiência pública antes de decidir sobre a liminar requerida, acreditamos que não há mais possibilidade de nos ser imposta essa injustiça. Houve uma reversão que deve se materializar com a audiência, provavelmente na primeira quinzena de outubro. Se houver uma decisão favorável, abortaremos a ida ao Paraguai e iremos recontratar os 500 funcionários que foram demitidos.
As importações continuam?
Sim, estão ocorrendo via decisões judiciais.
A intervenção do governador Roberto Requião ajudou?
Foi fundamental. Ele teve a coragem de discutir o assunto no STF, que até então era um grande tabu. O governador conhece o tema de forma muito próxima, já nos visitou uma meia dúzia de vezes, reconhece os programas sociais que conduzimos e sabe que isso é uma disputa de mercado estimulada pelas indústrias multinacionais. Chegou num ponto em que ele sentiu que precisava intervir sob pena do Brasil perder 10 mil empregos diretos gerados pela remoldagem.
Ambientalistas alegam que o maior beneficiado da remoldagem são os países ricos, que nos vendem seus pneus-lixo...
O maior beneficiado é o planeta Terra. Quatro pneus saem da Europa e se transformam em pneus remoldados, que, por sua vez, quando utilizados, promovem a economia de 20 litros de petróleo para cada pneu de automóvel. Além de gastar menos, ainda reduz em 50% o risco de aquecimento global em relação aos pneus novos. No Brasil, ganha-se pela troca de cinco pneus que estavam no meio ambiente gerando risco de dengue por quatro de matéria-prima. Esses ambientalistas tinham de voltar para a escola para aprender aritmética, porque é um assunto muito simples quando se tem alguns neurônios ainda funcionando.
A queima dos pneus não gera CO2 na atmosfera?
Eles são queimados nos fornos de indústrias de cimento para gerar energia, substituindo um derivado de petróleo importado que é muito mais poluente - e que contribui para a saída de divisas do Brasil. Os ambientalistas imaginam que os pneus são queimados a céu aberto, mas não é assim. Além disso, eles ignoram que apenas 9,63% do total de pneus colocados anualmente no mercado brasileiro são remoldados, os outros mais de 90% são pneus novos que também ficam velhos e que agridem o meio ambiente e a saúde pública.
Por que não são usados pneus brasileiros na remoldagem?
Porque no Brasil nem 1% dos pneus novos presta para fazer remoldagem. E não prestam por causa das estradas ruins e porque são mais frágeis. Na Europa, os pneus são feitos para rodar a 250km/h.
Fonte: Folha de Londrina
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